O Enem- Exame Nacional do Ensino Médio- mexe com 4,6 milhões de brasileiros num momento muito especial de suas vidas. É gente que trava, em sua maioria, a derradeira batalha para conquistar sua Educação, software raro de se encontrar no país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza. O exame foi criado em 98, no governo FHC, apenas para aferir o ensino médio, daí o seu nome. Depois, se ampliou e passou também a significar acesso ao ensino superior. No governo Lula, ampliou-se ainda mais e passou a valer pontos no Prouni- Programa Universidade para Todos- além de servir como prova de certificação para alunos que estão concluindo o ensino médio em cursos do EJA- o antigo supletivo. Ou seja, o Enem se ampliou e adquiriu importância e interesse público. Então, veio o Eminem…
Em 2009, no Hemisfério Norte, Eminem, o rapper norte-americano que se não fosse o “mi” no meio era homônimo do Enem, lança o álbum “Relapso”- uma previsão nefasta do que aconteceria a seguir. O exame comandado pelo Ministério da Educação foi parar nas páginas policiais. A prova é furtada, malocada na cueca (Jesus, os brasileiros e suas cuecas criminosas!) por um funcionário do consórcio responsável pela prova. Desde este escândalo nas roupas de baixo, o Enem adquiriu uma aura de desconfiança e tensão extras.
Na última sexta-feira, Eminem trouxe seu show “Relapso” pela primeira vez ao Brasil, e a palavra, infelizmente, voltou a caracterizar o Ministério da Educação do Brasil que aplicava a prova em mais de mil cidades no mesmo final de semana. O exame continha erros primitivos, básicos, patéticos… Desde falhas na impressão, na ordem do gabarito, crucial numa prova dessa extensão, quanto na revisão dos textos que teoricamente deveriam servir como não apenas ferramenta de avaliação mas também de exemplo de bom trato da lingua pátria. Ao contrário do governo brasileiro, o rapper norte-americano se apresentou pontualmente e impecavelmente ao seu público. Já o exame “Relapso” do Enem não é compatível com os mais de R$ 60 milhões que os cofres públicos gastaram na sua confecção e toda expectativa que se criou em torno do exame pelos mais de 4,6 milhões de pessoas envolvidas.
Muitos deles estão travando uma batalha duríssima contra a exclusão da vida universitária. O sucesso significa prosseguir no sonho de conquistar uma suada vaga no ensino superior, continuar os estudos e a perspectiva de mudar de fase no dramático jogo da vida profissional. O fracasso significa a interrupção na vida escolar e, muitas vezes, voltar ao subemprego ou, na melhor das hipóteses, para uma vida profissional menos qualificada.
Para as escolas, depois de um período de controvérsias, o Enem passou a significar uma oportunidade de avaliação perante à sociedade. As escolas privadas viram uma oportunidade de mostrar aos pais bons índices no exame e convencê-los de que vale a pena pagar o suado dinheirinho das mensalidades. As escolas públicas, com honrosas exceções, tomaram pau. Entre as 10 primeiras do ranking, apenas uma é pública. Entre as 50 piores, nenhuma é privada.
Quando é relapso com o Enem, o governo brasileiro mostra como é relapso com a Educação no pais? Temos outra alternativa à essa questão? Devemos discutir, sem paixões partidárias, o que temos a aprender com o Enem. A hora se vai tarde e a juventude, especialmente a juventude que está excluída da Educação média e superior no país, merece um tratamento melhor que o tratamento “Relapso” que foi submetida até aqui pelos (des) governos de plantão.
Por Marcelo Tas
Nenhum comentário:
Postar um comentário